Fiquei feliz ao ler seu texto, boas colocações, apesar de não concordarmos na maioria delas. Pois bem, achei justo respondê-lo de maneira o mais sincera possível, ainda que possa chocá-lo, por isso, vou precisar mais que algumas linhas e acho que nada do que será escrito aqui substituiria uma boa conversa.
Logo no início do seu texto você critica a falácia da opinião majoritária. Acho válido o que você colocou, apesar de achar os seus exemplos pouco felizes, pois as minorias que você cita têm direitos garantidos por lei, advindos de um estado democrático (“A ditadura da maioria”). A questão levantada: seria o aborto um direito, uma questão de saúde pública, ou como está: um crime? Vou preferir me restringir ao caso do Brasil, já que aqui é onde a gente vive e é aqui onde uma possível mudança na legislação pode acontecer em breve.
Acho que para falar de aborto eu tenho que expor meus princípios, pois ainda que eu contrarie uma opinião alheia, posso ser entendido em minhas convicções. Primeiro vou falar um pouquinho de questões feministas em relação ao aborto, depois vou discutir a implicação da definição do momento que se inicia a vida numa perspectiva moral. Falo ainda, brevemente da questão da mulher e finalmente vou coloco a questão da mortalidade das mulheres devido aos abortos clandestinos, questionando alguns dados apresentados.